Botias palhaço são um dos peixes mais
populares em aquários e tem sido assim por um longo tempo mas,
surpreendentemente, muito pouco se sabe sobre elas e sua
biologia. É principalmente sobre sua reprodução o que pouco
sabemos. Neste artigo pretendo mostrar o que se sabe sobre o
assunto e dar fim a alguns mitos. No final do artigo vou
compartilhar meus pensamentos e idéias de como revelar este
mistério e fazê-las se reproduzirem em aquários.

Botia palhaço, Chromobotia macracanthus
Generalidades:
Botias palhaço vem da Indonésia e são encontradas em
Bornéu e Sumatra. Elas moram em rios pela maior parte do ano
exceto durante as migrações para acasalamento quando os
adultos sobem a correnteza para pequenos riachos para
acasalar. Elas vivem no leito dos rios em grande número ou em
cardumes. Informações sobre seu tamanho variam de 40 a 50cm.
Tais medidas devem ser vistas como muito raras mesmo na
natureza. O tamanho adulto mais normal seria entre 15 e 20cm.
Com relação à idade é dito ser mais de 20 anos.
Botias
palhaço pertencem à família Cobitidae, na ordem Cypriniformes. A principal
característica para esta família é um ferrão abaixo de cada
olho que pode ser enriçado como mecanismo de defesa. O nome
científico das Botias palhaços é macracanthus que significa
“grande espinho”. Embora o ferrão não seja venenoso, pode ser
muito dolorido. Estes ferrões podem facilmente se prender nas
redes e causar dano ao peixe. As escamas da Botia palhaço são
muito pequenas e difíceis de se ver, motivo pelo qual alguns
aquaristas dizem que elas não possuem escamas mas isto não é
correto, embora de fato não possuam escamas na cabeça. As
Botias possuem quatro pares de barbilhões. Coloração e formato
do corpo são como podem ser vistos nas fotos.

Lar das Botias palhaço! As redes que aparecem
nesta foto são para pegar peixes comestíveis, não
especialmente as Botias. Foto: Mikael Hakansson
A
grande maioria das Botias palhaço encontradas à venda são
coletadas da natureza. Cerca de 20 milhões de Botias palhaço
são exportadas por ano pela Indonésia. Alguma reprodução
induzida é feita principalmente na Tailândia com auxílio de
hormônios para estimular o acasalamento. Botias reproduzidas
em cativeiro ainda custam mais caras que as coletadas da
natureza. Relatos de acasalamentos bem sucedidos com hormônios
foram feitos na República Checa, Rússia e na Flórida, mas é
difícil avaliar tais relatos. Um aumento na produção de Botias
palhaço em tais fazendas de criação é desejado. Embora a
espécie não esteja ameaçada de extinção por conta da grande
quantidade coletada, existem relatos de que em certas áreas,
especialmente em Sumatra, de que seu número vem diminuindo. A
Indonésia proibiu a coleta de Botias maiores que 15cm para
exportação para proteger os adultos férteis. Mesmo sendo a
coleta local uma ameaça à espécie a questão não é tão simples
por conta das famílias pobres que dependem dessa coleta para
sua subsistência.
A coleta em Bornéu é geralmente
feita entre o fim de março ao começo de julho quando o nível
das águas desce após o período de chuvas que vai de dezembro a
fevereiro. Em alguns anos os peixes jovens podem ser
capturados entre janeiro e fevereiro. Em Sumatra a alta
estação ocorre mais cedo, de novembro a janeiro. No passado
costumava existir escassez desses peixes nas lojas no outono e
inverno antes da coleta começar mas atualmente se fazem
estoques desse peixe em grandes piscinas de estocagem. Além
disso também existe a questão financeira de vender peixes
maiores.
A coleta deste peixe na natureza é
interessante. Você pega um bambu oco de até dois metros de
comprimento fazendo pequenos orifícios em cada um de seus
segmentos. O bambu é então submerso na água e as Botias entram
nele para se esconder. Quando o bambu é retirado da água ele é
suavemente sacudido e os peixes caem de dentro dele. Tal
método pode variar de um local para outro mas, basicamente, é
feito desta maneira.

Bambus pendurados em fileira em um rio de
Sumatra. Foto: Mikael Hakansson
Mikael Hakansson
que visitou recentemente Jambi em Sumatra para estudar a
coleta de peixes tropicais, declarou que eles penduram bambus
na água passando-os por sobre os galhos das árvores ou
amarrados a um tronco flutuador. O segundo método é mais usado
na alta estação enquanto os bambus pendurados são usados ao
longo de todo ano. Os bambus são cortados em pedaços de dois
metros e secos por dois meses pois existe uma substância de
odor desagradável para os peixes no bambu recém coletado.
Os peixes coletados para aquário medem de 2 a 7 ou 8
centímetros. É claro que Botias maiores são pegas de outras
formas como redes por exemplo mas estas são servem de alimento
para os moradores locais. Elas não são uma fonte significativa
de alimento mas são comidas quando coletadas.
Contaram
ao Mikael que na alta temporada de coleta das Botias palhaço
todo mundo quer se juntar ao grupo de coleta, até mesmo
“velhas senhoras que mal conseguem andar ganham ar jovial
sentadas nas canoas e ajudando a esvaziar as armadilhas de
bambu”.

Armadilha de bambu sendo esvaziada. Foto: Mikael
Hakansson
A característica mais marcante da Botias
é seu “click”. Quando elas disputam o alimento ou o melhor
lugar de um esconderijo, elas produzem um click facilmente
audível, as vezes tão alto que você pode achar que o aquário
está se quebrando!
Comportamento:
Botias
palhaço são considerados peixes de cardume, mas eu prefiro
dizer que eles vivem em grupos. As disputas entre eles
existem, assim como nos “verdadeiros” cardumes. A questão
quanto ao termo é mais de interesse acadêmico. Sob nenhuma
circunstância este peixe deve ser mantido sozinho pois se
sentem inseguros, amedrontados e as vezes agressivos. É mais
aconselhável que sejam mantidos em grupos de 4-5 ou mais. Eu
já li vários artigos que Botias palhaços adultas podem se
tornar agressivas com outras espécies mas nunca presenciei
isto. Pode ser que elas tenham permanecido sozinhas ou em
pequenos grupos.
Botias palhaço crescem rapidamente quando
jovens, até atingir 7-8cm. Depois, sua velocidade de
crescimento diminui drasticamente. Botias jovens são muito
ativas e curiosas gostando de se mostrar na hora da
alimentação. Minha experiência diz que os peixes adultos são
mais cautelosos e preferem um lugar mais discreto, se
possível. As Botias as vezes se deitam e dormem de uma maneira
que nos fazem pensar que morreram, as vezes se deitam de lado.
Quando alguém vai verificar, o peixe sai nadando como se nada
tivesse acontecido. As Botias palhaço são incrivelmente
velozes quando pegam embalo e sabem se esquivar como ninguém
das pedras nas rápidas correntezas.

Botias palhaço não devem ser mantidas solitárias
mas em grupos de pelo menos 4 ou 5
O aquário:
Uma área
grande no fundo é melhor. Peixes de fundo como as Botias não
necessitam de aquários altos. É desejável que o cascalho
possua pedras pequenas e grandes e raízes para lhes conferir
um ambiente natural.
Você pode tentar plantas mas fique
avisado que Botias palhaços gostam de comer plantas.
Hygrophila são suas favoritas na alimentação. Microsorium e
Anubias funcionam melhor, assim como Valisneria, por exemplo.
O tamanho do aquário tem que ser compatível com o tamanho
dos peixes. Não pretendo falar do tamanho exato necessário.
Use o bom senso. Quanto maior, melhor é um argumento válido
para a maioria dos aquários.
Esconderijos na forma de
buracos e cavernas são ótimos. Estes peixes gostam de se
deitar nos esconderijos e ficar vendo o que acontece lá fora.
Eles rapidamente se juntam nos esconderijos. Sendo assim, os
buracos devem ser grandes o suficiente para caber várias delas
ao mesmo tempo. Na minha opinião parece melhor que os
esconderijos sejam feitos de grandes pedras redondas e troncos
para copiar seu habitat mas para o peixe não faz tanta
diferença o material usado. Já vi tijolos e tubos de PVC sendo
usados e os peixes não se acanham em usá-los.
Troncos
ocos podem causar problemas. Eu tive um no qual meu peixe
decidiu morar e tirá-lo de lá era praticamente impossível.
Tive que esperar quase uma semana para ele sair de modo a
mudar a decoração do aquário conforme eu pretendia.
A
circulação de água e filtragem deve ser maior que em aquários
convencionais para garantir boa oxigenação. Não é necessária
uma corrente forte como em aquários de corredeiras.
Botias palhaço não apresentam grandes demandas de
certos elementos. pH neutro e kH baixo a médio são excelentes.
Por outro lado devemos ser cuidadosos com as trocas parciais
de água. Estes peixes são sensíveis à mudanças bruscas da
qualidade da água. É preferível pequenas trocas freqüentes. Eu
recomendo trocas a cada duas semanas, preferencialmente menos.
Nova taxonomia
para as Botias
Bleeker in 1852 descreveu a
Botia palhaço como Cobitis
macracanthus. Posteriormente ela foi movida para a
família Botia onde ela
permaneceu até 2004 quando então o ictiologista suíço Maurce
Kottelat criou uma família só para elas, Chromobotia. No mesmo
trabalho, a família Botia foi dividida em quatro
menores famílias. Além da Chromobotia também a Yasuhitotakia que inclui as
Botias do rio Mekong, assim como a modesta, sidhtmunki e outras. As
Botias Tigre junto com outras como a helodes e a hymenophisa foram para a
família Syncrossus.
Permaneceram na família Botia as “Botias indianas”, como por
exemplo as Paquistanesas ou YoYo e a striata.

A Botia azul é agora chamada Yasuhikotakia modesta
Macracanthus
Você as vezes a forma macracantha ao invés de macracanthus. De
acordo com Sven Kullander do Museu de História Natural da
Suécia não há dúvidas de que macracanthus é a forma
correta.

O nome da espécie macracanthus significa
“grande ferrão” em alusão ao espinho eréctil que as Botias
palhaço possuem sob seus olhos.
Dieta:
É mais fácil falar
o que as Botias não comem do que o que elas comem. Elas são
onívoras. Existem rumores de que elas podem dizimar caramujos
de um aquário, o que é praticamente correto. Isto porque elas
não conseguem comer os caramujos de areia da Malásia, que
podem ser reconhecidos por sua concha espiral pontuda. Esses
caramujos possuem uma porta que pode ser fechada, tornando o
trabalho das Botias bem mais difícil.
Sendo peixes de
fundo é esperado que comam seres do fundo onde elas moram.
Além dos caramujos e crustáceos, vermes e larvas são todos
incluídos em sua dieta regular. Existem também os camarões de
água doce que também devem ser importantes em sua alimentação
assim como vegetais de diversos tipos.
Em outras
palavras, você pode alimentar estes peixes com todo tipo de
comida. Flocos, alimentos vivos e congelados como larvas de
mosquito, bloodworms, daphnia, tubifex, etc.
Minhocas de
terra são apreciadas mas devem ser cortadas em pedaços para
caber em suas bocas. Misturas à base de camarão, tabletes de
algas, salmão, granulados para Discus ou Kinguios, todos
funcionam. Fatias de abóbora e pepino pré-cozidos também
descem bem. Naturalmente, a melhor forma de alimentá-los é com
alimentos que afundem mas se necessário eles irão à superfície
do aquário e até nadar de cabeça para baixo para pegar o
alimento. Uma dieta variada é provavelmente o melhor.

Bloodworms é um dos pratos favoritos das Botias
palhaço.
Botias saudáveis comem muito e
freqüentemente, o que explica a necessidade de boa filtragem.
Seu apetite voraz nos faz ficar tentados a superalimentá-las o
que em breve costuma poluir a água do aquário. Ofereça
pequenas porções algumas vezes por dia para que não hajam
sobras, já que as Botias não possuem boas maneiras à mesa.
Botias as vezes entram no “frenesi alimentar” o que
quer dizer que elas se jogam histericamente contra a comida
com clicks intensos. As vezes parece que nunca viram comida em
toda sua vida! Meus peixes se comportam dessa forma entre os
meses de março e maio e isto pode estar associado com a
mudança das estações do ano em seu habitat.

Botias palhaço em frenesi alimentar
Problemas
especiais:
Existem algumas coisas que se deve tomar
cuidado com relação às Botias palhaço. O problema mais comum é
o Íctio. Esses peixes são facilmente atacados por essa doença.
Isto é mais comum quando ficam em águas frias ou recentemente
transportados.
Peixes bem aclimatados são tão resistentes
quanto os demais. Ao longo de 10 anos cuidando de Botias só
tive uma infestação por Íctio. Por garantia sempre tenha um
remédio para Íctio em casa se vai comprar Botias. Ele pode
salvar vidas. Íctio pode ser curado facilmente mas pode ser
catastrófico se não tratado.
Siga as instruções
cuidadosamente para todo medicamento. Alguns recomendam meia
dose para Botias, já que elas são bastante sensíveis a certos
ingredientes, especialmente à base de cobre.
Perda de
peso ou “Barriga seca” também é comum em Botias palhaço. Os
sintomas típicos são perda de peso e comportamento conhecido
como “knifeback” embora o comportamento do peixe continue
normal e se alimente normalmente. Esta doença é mais difícil
de tratar. Ela vem de um parasita (spironucleose) nos
intestinos, do mesmo tipo dos que causam a tão famosa “doença
dos Discus”. Costumo curar tal doença usando Sprohexol da JBL.
Flagyl (Metronidazol) também pode ser usado no tratamento.
Fora estes dois casos, Botias palhaço não são mais
susceptíveis a doenças que outros peixes. As doenças acima
ocorrem mais freqüentemente em peixes que foram recentemente
transportados ou submetidos a outros fatores estressantes como
água fria ou má higiene do aquário. Não compre peixes magros!
Reprodução:
Existem poucas coisas no hobby do aquarismo que são objeto
de tantos rumores e especulações quanto a reprodução das
Botias palhaço. As vezes surgem artigos ou histórias contando
que alguém “achou” filhotes em seu aquário mas sem fotos ou
outras evidências. Isto não quer dizer que todos esses relatos
são fabricados mas devemos ser cautelosos em acreditar neles.
Muitos deles falam de aquários “largados” nos quais apareceram
tais filhotes. Se isto é verdade então isto pode significar
que tal peixe não precisa de uma corrente tão forte quanto se
supõe. Outros relatos se opõem a este. Infelizmente não existe
uma receita indicando exatamente o que deve ser feito.
Venho cuidando de Botias palhaços por aproximadamente
dez anos e mais intensamente nos últimos quatro ou cinco anos.
Tenho tentado de várias formas encorajá-las a se reproduzirem
mas por enquanto, sem sucesso. Tirei certas conclusões que
possivelmente possam inspirar outros a resolver os mistérios
desses peixes, de forma que resolvi colocar aqui meus
pensamentos e dicas.
Antes de tudo, se você lê artigos
em livros ou publicações e em fórums na Internet existe sempre
algo sendo dito sobre Botias terem que ser adultas e grandes
para que possam se reproduzir. É estranho como tal informação
se espalhou sobre uma espécie da qual sabemos tão pouco. De
qualquer forma eu descobri que não é verdade! De acordo com um
estudo feito na Reserva Danau Sentarum com peixes entre 8 a
10cm coletados durante as temporadas chuvosas enquanto outros
migravam. Considerando a velocidade de seu crescimento podemos
concluir que suas migrações reprodutórias já acontecem a
partir de seu segundo ou terceiro ano de idade.
Por causa
de um acidente duas de minhas Botias palhaço morreram. Por que
sou curioso e um dos peixes parecia meio redondo resolvi
abri-lo. Para minha surpresa ela estava cheia de ova. Este
peixe se encontra atualmente em preservado em álcool no Museu
de História Natural de Estocolmo na Suécia. A fêmea que estava
com os ovos é a de cima na foto abaixo. Ela estava com 10 a
11cm de corpo, 15cm contando com a nadadeira caudal, longe dos
30cm que certos autores alegam. Sendo assim, não são
necessários peixes gigantes para estarem maduros para
reprodução, então, não deixe isto o desencorajar de tentar.

Botia palhaço com ovos! Foto: Erik Ahlander
As tentativas mais controladas e bem sucedidas que
já tentei não resultou em reprodução mas ficou no caminho.
Comecei tentando imitar um rio mais longo para simular a
“migração” em águas mais claras e mais movimentadas.
O
aquário tinha cerca de 200 litros onde eu tinha cerca de 10
Botias entre 8 e 12cm. O substrato consistia de cascalho e
pedras pequenas e grandes. Num dos lados do aquário existia
uma “câmara filtrante” de 40x50cm feita de material de um
filtro no centro da lateral do aquário. Tinha uma baixa
correnteza, cerca de 1000 litros/hora. A água era água normal
da torneira mas eu coloquei um pouco de lama quase sempre
presente em rios tropicais. A temperatura da água estava perto
de 30°C.
Após algumas semanas comecei a trocar a água
enlameada por água limpa e fui baixando a temperatura até
chegar a 27°C e aumentei o fluxo da correnteza. Também
coloquei turfa para tornar a água mais limpa e confortável.
Também coloquei algumas plantas caso os peixes quisessem elas
para a postura. Durante todo este processo eu alimentei os
peixes de forma estúpida, o que me fez fazer pelo menos duas
trocas por semana, talvez mais, exceto no começo quando a
qualidade da água não estava tão ruim.
Conforme já
falei, os peixes nunca desovaram e depois de um mês o acidente
aconteceu conforme falei acima.
Enquanto trabalhava neste
artigo mantive contato com Per-Erik Lingdell que trabalha com
insetos em água corrente. Ele é obviamente uma pessoa séria e
possui grande conhecimento de como este tipo de habitat
funciona e se parece. Ele me contou que já conseguiu filhotes
de Botias palhaço mas que elas não sobreviveram. Ele usou um
processo similar ao meu mas usou correnteza mais forte. Acima
de tudo, ele possuía um lugar onde a água batia em grandes
pedras, local onde ele acha que ocorreu o acasalamento. Ele
até fez mudanças mais drásticas do que eu nas condições da
água. Eu dei a meus peixes cerca de um mês até eles “chegarem”
no local da procriação. Per-Erik foi muito amigável, como o
pessoal das Botias são, e consegui dele muitas sugestões e
idéias durante nossa conversa.
Pelo relatado acima
você deve entender que eu não desisti! Acabei de montar um
novo aquário um pouco maior, cerca de 300 litros
(setembro/2004) onde minha próxima tentativa ocorrerá. As
medidas são 120x60x40, também com uma boa área de chão porém
não tão alto, No canto do aquário eu fiz um filtro que chamei
de “fltro hamburger”, onde haverá espaço para bombas potentes,
Fluvial 4 ou similar. Até o momento apenas uma está em uso.
Pretendo ligar uma por vez para simular o aumento da corrente.
Também possuo um pequeno filtro externo Eheim mais para usar
turfa ou similares. Todas as outras sucções dos filtros foram
concentradas dentro deste filtro de canto e imagine quão
frustrante seria se os peixes desovassem e os ovos fossem
sugados pelo filtro!

Filtro de canto. Aqui você consegue colocar pelo
menos quatro bombas potentes se tentar um pouco!
Eu tenho um alimentador automático que despeja
pedaços de salmão e grãos de Discus três vezes ao dia. Também
ofereço guloseimas como minhocas ou bloodworms quando chego em
casa de tardinha, geralmente duas vezes ao longo de duas
horas. Eu rivalizo a dieta entre proteína e gordura. Acredito
que isto é necessário para o desenvolvimento da ova. As luzes
estão conectadas a um timer que se acende por volta do meio
dia e se apagam logo depois da meia noite. De manhã estou
geralmente cansado e ocupado para me dedicar aos peixes.
O
aquário possui cascalho liso, alguns troncos e algumas pedras
pequenas. Pretendo colocar mais pedras durante a “migração rio
acima” e talvez no final também diminua o nível da água para
aumentar o fluxo de água.
Eu planejo que esta
tentativa seja nos mesmos moldes que a primeira mas com
algumas modificações. Por exemplo, se os peixes não desovarem
na correnteza forte então talvez desovem em águas mais calmas.
Eu tenho um belo grupo de 8 Botias, a maior delas com 13-14cm.
O acasalamento costuma ocorrer no período das chuvas que
começa em novembro-dezembro, de modo que ainda tenho alguns
meses para preparar o aquário e os peixes para o que está por
vir, que eu acredito, vai tornar mais fácil atingir meu
objetivo, seguindo o ritmo natural dos peixes nessa época do
ano. Vamos ter que ver o que acontece. Se der certo tenha
certeza de receber notícias! Caso contrário vou tentar novas
modificações e tentar novamente, novamente e novamente!

Parte do meu aquário de Botias palhaço, ainda
com decoração esparsa mas “a caminho do local de
acasalamento”. Mais decoração será adicionada. A água está
meio chá por causa de matéria húmica do filtro de turfa.
Agora eu já te contei como eu pensava e como
pretendo fazer. Nós aquaristas de vez em quando mantemos
segredos sobre o que estamos tentando fazer, especialmente se
são nossos pequenos experimentos. Não seja assim! Suas
experiências podem ser muito valiosas para outros. É sabido
que aprendemos pelo “fracasso”. Você pode pensar que estou
indo pelo lado errado e você tem idéias contrárias de como
conseguir esta reprodução. Bem, talvez você esteja com a
razão! Não há muitas espécies de peixes tão bonitas, gentis e
engraçadas como as Botias palhaço. Elas realmente merecem mais
de quem vai seriamente tentar desvendar seu grande mistério!
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