Tucunare
Tucunaré Amarelo

O “tucunaré amarelo” é nativo da bacia amazônica, e foi introduzido em muitos outros rios, represas hidroelétricas, e hoje existe em grande parte do Brasil, concentrando-se em locais onde pode se esconder da presa, tais como galhadas, troncos, vegetação, drop-offs, pedreiras etc.
O tucunaré amarelo tem resistência e adaptabilidade muito maior que a do tucunaré azul em águas mais frias e maior índice de sobrevivência na procriação, além de se adaptar muito bem em áreas menos oxigenadas e águas turvas, justamente o oposto de seu parente azulado. Não costuma realizar grandes migrações e se concentra em cardumes numerosos preferindo sempre a proximidade das margens, vegetações ou troncos, mesmo que eventualmente em locais mais fundos, muitas vezes até sendo residente.

Alguns pontos do tucunaré.
O tucunaré é muito apreciado na pesca esportiva, todos os anos milhares de estrangeiros vem à Amazônia para pescá-los, é considerado o rei da pesca esportiva, pois é o único peixe da Amazônia que persegue suas presas sem cessar.
O consumo médio diário de alimento do tucunaré amarelo é de 2,23% de seu peso corporal, é um valor baixo em relação a outros peixes tropicais, indicando que a espécie come relativamente pouco.
Existem mudanças na alimentação ao longo da vida em conseqüência de modificações ontogenéticas do peixe, tem o hábito dominante de comer peixes, contudo quando bem jovens por volta dos 8cm, comem praticamente só insetos, invertebrados aquáticos e vermes, passando a comer quase que predominantemente peixes no ciclo adulto. Podem comer peixes com até 45% de seu tamanho.
Tucunaré
Na natureza geralmente começam a desovar na seca (setembro) e continuam até o final do período chuvoso (janeiro), o C. monoculus é um dos mais prolíficos dentre os Cichla, senão o mais. Com cerca de 1 a 1 ano e meio atingem a maturidade sexual, os pais cuidam da prole rigorosamente, o macho na época da reprodução desenvolve um “calombo” em sua cabeça, que na verdade é uma reserva de gordura, já que este praticamente não come quando esta protegendo a prole, eles fazem seus ninhos geralmente com pedras, a mãe fica mais com os filhotes, e o macho patrulha em um raio próximo, espantando os intrusos.
Os tucunarés vivem em grupos (quando os peixes são pequenos, os cardumes são muito grandes. Ao atingirem um tamanho médio, o número passa a ser da ordem de 25 exemplares. Já adultos, em fase de acasalamento ou não, andam sozinhos ou em pares.), muitas vezes se juntam, fecham um pequeno cardume de presas, e os encurralam na beirada do rio e assim se fartam destes.
Tucunaré
Antes da nova classificação que classificou 14 espécies de tucunarés, o Cichla kelberi era classificado como variação do Cichla monoculus.
Os Cichla monoculus são dos ciclídeos mais pacíficos, geralmente suas brigas não passam de boca a boca, medindo forças, antes de iniciarem geralmente expandem suas guelras para parecerem mais intimidadores.
O tucunaré é uma febre nos países afora, sendo às vezes criados até em aquários mono-espécie, mais no Brasil ainda não conseguiu seu MERECIDO espaço! É uma ótima escolha pra se criar em aquário, contudo respeitando suas necessidades. Pode ser criado em um tanque de pelo menos 500L, com grandes ciclídeos como Apaiari, Green Terror, Managuense, aruanãs, e peixes jumbos no geral como pintados, facas, etc.

Apesar de não defecarem muito, necessitam de uma ótima filtragem, já que são sensíveis a amônia (não tanto como o tucunaré azul, Cichla piquiti), e necessitam de bastante oxigenação, uma bomba forte para recalque é aconselhada, pois eles gostam de pequenas correntezas, alem de ajudar a subir os resíduos do substrato.
Cichla piquiti
Atingem em média 50cm, por isso nunca ponha um peixe junto que não cresça bem, porque cedo ou tarde irá virar refeição do mesmo.
São peixes muito inteligentes e dóceis com o dono, tem vários comportamentos bastante interessantes como por exemplo ficarem doidos tentando pegar qualquer inseto que esteja no vidro ou voando próximo.

Podem ser criados sozinhos, mais se o aquário permitir, o ideal seria de uns 3 exemplares, aonde alguns comportamentos se acentuam mais ainda.

O aquário deve ser bem tampado, porque em determinados ocasiões podem se assustar e passar por uma fresta da tampa, às vezes até arrancando-a.

O aquário deve ter troncos para que ele os use de abrigo a noite e se sinta em casa, o aquário deve ter também muito espaço para seu nado, já que são nadadores velozes, e dão botes em suas presas em potencial.
Acostumando seu tucunaré amarelo a ração.

Prefira exemplares com média de 8cm, pois é bem mais fácil, o método que eu usei foi o seguinte:

Coloquei 14 indivíduos em um aquário de 100L, filtragem feita por um filtro externo 650L/H coloquei uma bomba de circulação de aproximadamente 2000L/H para o alimento ficar em movimento, comecei jogando filé de peixe, logo começaram a comer morto, passado um tempo, quando já estavam com confiança e vinham à frente do aquário pedir comida, passei a dar Gammarus, eles abocanhavam mais sempre cuspiam, deixei-os 3 dias sem comer, e no outro joguei novamente Gammarus, e estes aceitaram, depois passei a dar ração, uns comiam, outros cuspiam, deixei-os mais 3 dias sem comer, e ai consegui que a maioria estivesse já treinada a ração.

Reprodução: Coloque um casal (já formado) em um aquário de 500L (dependendo é claro do tamanho dos mesmos) use, troncos, substrato de rio e seixos rolados e alguma vegetação, temperatura em 29º, faça trocas de água de 40% colocando a água com o pH um pouco abaixo do pH do aquário, se os mesmo já estiverem acondicionados a ração, continue dando-a., mas ofereça também alguns peixes vivos para estimulá-los.O casal em algum tempo devera iniciar a reprodução, ao nascerem as larvas, ofereça naupilios de artemia recém eclodidos, micro vermes, e ração (a mais protéica possível) em pó.

Desligue toda filtragem para que as pequenas larvas não sejam sugadas, coloque um(s) compressor (es) equivalente(s) com o tamanho do aquário, após 15 dias no máximo as larvas estarão totalmente formadas, retire os pais.

 
Nome popular: Tucunare Amarelo
Nome científico: Cichla monoculus
Família: Cichlidae Ciclídeos
Origem: América do Sul
Tamanho: 50cm
Ph: 6.2 a 7.0
Temperatura: 25ºC a 30ºC
Aquário mínimo: acima de 500L
Alimentação: Carnivoro predador
Reprodução: Machos adultos apresentam calombo na testa, que se acentua na época de reprodução, as fêmeas são menores, possuem coloração mais discreta e formas mais arredondadas
Hábitos: Como é uma espécie bastante agressiva, é bom não colocar peixes menores de outras espécies pois é quase certo serem devorados pelo Tucunare.
Observações: Relativamente agressivo, come peixes pequenos
 
Texto e fotos reproduzidos mediante autorização de seus autores originais: Caio Sampaio e Bruno Roncolato